Chove lá fora!
Psicologia saboreada
no livro executado
entre dois
deliciosos tormentos,
austeros.
Dentro
com muito, muito gelo
existe a explicação
cega e humilhante,
daqueles olhos corados
até ao branco de tanto
chorar.
- "Veremos!" - diz a voz mecanizada
arrumada ao centro da mesa ideal,
organizada na fibra
central das minhas bebidas
suspensas...
Na boca
que refresca as tuas mãos
e saboreia
os teus olhos que arredados do mundo
choram escondidos
a tua
vontade de dor, da teima e porque
não de Amor?
Vieste assim de mansinhoao som das folhas...no barulho do longe.Olhei-te, pobre de mim,enrolada na tristezae no vazio de tal timidezna cor de tal olharno aperto de tal mãodeixaste que te agarrasse a almae na vertigem de tal ousadiano vazio de tal brisana delícia de cada palavratrocaste a dor pelo sorriso,o vento com o existir eo choro pelo abraço.
Dez aplausos é bem
no meio do teu querer
flor que sempre tem
uma alma sem poder.
Nove planos são lançados
na penumbra de um só ano
beijos, beijos são atirados
e na face caiem sem dano.
Oito princesas para um doce
vislumbrado dentre o casario,
falam à sombra como se não fosse
nem abraço nem desvario.
Sete acenos no horizonte
abrem janelas de um cristal
um barco, um rio, uma ponte
doçura quase brutal.
Seis risos, seis sais
seis rins, seis cores
seis luzes, seis cais
seis dias, seis dores.
Cinco lonjuras escapam aos dedos
tortos de tanto escrever
vontades assim pelos medos
paixões mudadas sem saber.
Quatro vezes o sino tocou
no castelo bem arrumado
o céu, a chuva, até o sol abanou
tudo foi ao ar lançado.
Três paredes sobreviveram
com tudo para alcançar
muitas letras se escreveram
olhos fechados, só quero te amar.
Dois tempos, a secar ao sol
saltam como risadas no aquém
sopradas sempre pelo fole
da viagem até Belém.
Um só minuto, um só passo
um só apelo, um só sinal
as mãos a viverem um só entrelaço
os olhos apertados até final.
Onze temas, onze amores
sempre floridos, o que faltava
as palavras, as festas, os odores
tudo belo sempre que te amava.
Vi partir a tua imagem por entre os vidros mágicos,de uma porta fechada a mil chaves.Com o calor a aflorar-me os olhos e aslágrimas, o coração, gravei a fogouma única palavra: esperança...de nunca ver cair estrelas entre o areal dopensamento.Mil castelos, algumas canseirasmil loucuras, algumas tristezas...O teu cheiro intenso, abafou-me numa misturade rosas com lagos sedentosde não partires como o fizeste.A minha dor é sufocante,- atroz!Malditos sejam todos os pássaros que esvoaçamcom a intriga presa nas garras. Dores rasgadas, saltam-me à cabeçadesprovida de razão.Aqui estou, jóia estimada!Rasgaste-te ao vento, com olhos de névoa.Desdobraste-te em milhares de papéisqual deles o mais bonito.Lentamente,entraste numa carruagem que eu não queria.Depois, partiste em direcção aomundo julgado agradável.Eu,ali sozinho, chorei baixinho adureza granítica doafastamento.Que noite feia, a minha.Horas e horas, fiquei sentadona escada que tão bem conheço. A primaziado primeiro beijo! A sensação vertiginosa do desejometamorfoseado em nevoeiros de silêncio.
Sei que partiste.Continuar ali, é o meu lugar,cara de mil amores.As marés que nos impedem de chegarvão mais tarde ajudar-nos a alcançara perdição do nosso arco-íris.Acordei na tua cama.Estiquei a mão ao de leve, qualabraço sentido - nesses olhos lindos!Procurei-te intensamente como o abraço!Parti o vidro da porta.Quebrei o carril da tua ida.Compus a ousadia.Estavas para lá da Lua,além da estrela mais distante,perto de tudo o que é longe.Estás agora...doce no tempo.
Tais linhas correm
para o rio, que corre manso
corre solto
água por água
vento por pedra
sempre em primeiro
corre que corre
água limpa
corre simples
como quem nunca correu…
Uma vez,
perdido na almofada dos sonhos
encontrei um mar azul.
Deitei a barcaça às águas e arrastado
pelas nuvens saí do cais.
Falavam as gaivotas com as velas e os
peixes com o casco.
Nada ouvia. Tudo procurava.
Ventos adiante,
encontrei sombras tumultuosas,
raios imensos,
ondas terríveis.
Noites a frio e dias a quente,
assim voguei por esses caminhos.
Os peixes, esses, seguiam-me ora de
perto
ora de longe,
ora de mais perto ainda,
mas nada diziam. Apenas afagavam o casco.
As nuvens, essas, apareciam e
desapareciam
embaladas pelo vento,
tombadas pela viagem.
Das gaivotas, apenas uma, me seguia.
Bem lá no cimo, junto ao mastro,
convocava-me para uma conversa.
Via-a fugir…
Não!…
Senti a sua asa na minha face
e o seu bico na palma da minha mão.
Acordei…
Estavas ao meu lado…
Se todos pagarem impostos, eu não vou passar a pagar menos. O Estado é que vai passar a gastar mais!
Dói saber que o sonhonão chegamas o lençol vai-se alagandode sonhos e tremuras.A luz, baixinhaamarfanha este coraçãovadio.O verde que predominacessa a acção e passa apreto.Preto da cor da alma dequem peca.Suores, meu Deus!Que tenho eu?Procuro o sonhode uma vida,a inocência de umapalavra,o sentido de um sógesto.Procuro sempre!
Noites giras são aquelas em que passeias,
de mão dada com o vento, ouvindo
o marejar das árvores
e o chilreio das nuvens.
Noites giras são aquelas em que as conversas,
falam do amanhã,
da loucura e da tempestade
do sentido e dos olhares.
Noites giras são aquelas em que o carinho
do teu ténue silêncio, encanta
o meu pensamento e
a minha alma.
Noites giras são aquelas em que a força
que transportas no peito, enrola
as minhas mãos nas tuas e
os teus lábios nos meus.
Deixar cair as lágrimas
no teu regaço, mostra o tempo
da vontade.
Dias que assim se movem
qual folha ao sabor do vento
qual seixo a rolar,
leito abaixo,
leito quente
com o teu sabor.
Viverás mil anos para saborear
o desígnio de mais um porto.
Por uma só vez saltarás
e por uma só vez saberás
quão roliço é o meu sonho,
quão quente o meu beijo,
quão com razão, a minha loucura.
Dançarás cem anos para cortar
a maneira do teu ser.
Por uma só vez beberás
e porque sim lutarás
pela força de uma noite,
pelas acções de qualquer ramo,
pela imensidão deste mar.
Dormirás dez anos para afastar
todas as mantas do teu corpo.
Por uma só vez chorarás
e por ele sentirás
o desejo desta virtude,
o pulo de uma nuvem,
o gastar de um abraço.
Mas por uma só vez,
um só minuto, um só olhar
apenas,
tudo guardarás
na arca da paixão.