sábado, 16 de maio de 2009

Pesadelos Poéticos

Chove lá fora!

Psicologia saboreada
no livro executado
entre dois
deliciosos tormentos,
austeros.

Dentro
com muito, muito gelo
existe a explicação
cega e humilhante,
daqueles olhos corados
até ao branco de tanto
chorar.
- "Veremos!" - diz a voz mecanizada
arrumada ao centro da mesa ideal,
organizada na fibra
central das minhas bebidas
suspensas...

Na boca
que refresca as tuas mãos
e saboreia
os teus olhos que arredados do mundo
choram escondidos
a tua
vontade de dor, da teima e porque
não de Amor?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A uma tal de E

Vieste assim de mansinho
ao som das folhas...
no barulho do longe.

Olhei-te, pobre de mim,
enrolada na tristeza
e no vazio de tal timidez
na cor de tal olhar
no aperto de tal mão
deixaste que te agarrasse a alma
e na vertigem de tal ousadia
no vazio de tal brisa
na delícia de cada palavra
trocaste a dor pelo sorriso,
o vento com o existir e
o choro pelo abraço.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Paixão

Dez aplausos é bem
no meio do teu querer
flor que sempre tem
uma alma sem poder.

Nove planos são lançados
na penumbra de um só ano
beijos, beijos são atirados
e na face caiem sem dano.

Oito princesas para um doce
vislumbrado dentre o casario,
falam à sombra como se não fosse
nem abraço nem desvario.

Sete acenos no horizonte
abrem janelas de um cristal
um barco, um rio, uma ponte
doçura quase brutal.

Seis risos, seis sais
seis rins, seis cores
seis luzes, seis cais
seis dias, seis dores.

Cinco lonjuras escapam aos dedos
tortos de tanto escrever
vontades assim pelos medos
paixões mudadas sem saber.

Quatro vezes o sino tocou
no castelo bem arrumado
o céu, a chuva, até o sol abanou
tudo foi ao ar lançado.

Três paredes sobreviveram
com tudo para alcançar
muitas letras se escreveram
olhos fechados, só quero te amar.

Dois tempos, a secar ao sol
saltam como risadas no aquém
sopradas sempre pelo fole
da viagem até Belém.

Um só minuto, um só passo
um só apelo, um só sinal
as mãos a viverem um só entrelaço
os olhos apertados até final.

Onze temas, onze amores
sempre floridos, o que faltava
as palavras, as festas, os odores
tudo belo sempre que te amava.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Doce no tempo

Vi partir a tua imagem por entre os vidros mágicos,
de uma porta fechada a mil chaves.
Com o calor a aflorar-me os olhos e as
lágrimas, o coração, gravei a fogo
uma única palavra: esperança...
de nunca ver cair estrelas entre o areal do
pensamento.

Mil castelos, algumas canseiras
mil loucuras, algumas tristezas...
O teu cheiro intenso, abafou-me numa mistura
de rosas com lagos sedentos
de não partires como o fizeste.

A minha dor é sufocante,
- atroz!

Malditos sejam todos os pássaros que esvoaçam
com a intriga presa nas garras.
Dores rasgadas, saltam-me à cabeça
desprovida de razão.
Aqui estou, jóia estimada!

Rasgaste-te ao vento, com olhos de névoa.
Desdobraste-te em milhares de papéis
qual deles o mais bonito.

Lentamente,
entraste numa carruagem que eu não queria.
Depois, partiste em direcção ao
mundo julgado agradável.
Eu,
ali sozinho, chorei baixinho a
dureza granítica do
afastamento.

Que noite feia, a minha.
Horas e horas, fiquei sentado
na escada que tão bem conheço. A primazia
do primeiro beijo! A sensação vertiginosa do desejo
metamorfoseado em nevoeiros de silêncio.

Sei que partiste.
Continuar ali, é o meu lugar,
cara de mil amores.

As marés que nos impedem de chegar
vão mais tarde ajudar-nos a alcançar
a perdição do nosso arco-íris.
Acordei na tua cama.
Estiquei a mão ao de leve, qual
abraço sentido - nesses olhos lindos!

Procurei-te intensamente como o abraço!
Parti o vidro da porta.
Quebrei o carril da tua ida.
Compus a ousadia.

Estavas para lá da Lua,
além da estrela mais distante,
perto de tudo o que é longe.
Estás agora...
doce no tempo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A uma tal de P.

Tais linhas correm
para o rio, que corre manso
corre solto
água por água
vento por pedra
sempre em primeiro
corre que corre
água limpa
corre simples
como quem nunca correu…

sábado, 31 de janeiro de 2009

Uma vez

Uma vez,
perdido na almofada dos sonhos
encontrei um mar azul.
Deitei a barcaça às águas e arrastado
pelas nuvens saí do cais.
Falavam as gaivotas com as velas e os
peixes com o casco.
Nada ouvia. Tudo procurava.

Ventos adiante,
encontrei sombras tumultuosas,
raios imensos,
ondas terríveis.

Noites a frio e dias a quente,
assim voguei por esses caminhos.

Os peixes, esses, seguiam-me ora de
perto
ora de longe,
ora de mais perto ainda,
mas nada diziam. Apenas afagavam o casco.

As nuvens, essas, apareciam e
desapareciam
embaladas pelo vento,
tombadas pela viagem.

Das gaivotas, apenas uma, me seguia.
Bem lá no cimo, junto ao mastro,
convocava-me para uma conversa.

Via-a fugir…
Não!…

Senti a sua asa na minha face
e o seu bico na palma da minha mão.

Acordei…

Estavas ao meu lado…

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Se todos pagarem impostos, eu não vou passar a pagar menos. O Estado é que vai passar a gastar mais!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Procura!

Dói saber que o sonho
não chega
mas o lençol vai-se alagando
de sonhos e tremuras.

A luz, baixinha
amarfanha este coração
vadio.

O verde que predomina
cessa a acção e passa a
preto.
Preto da cor da alma de
quem peca.

Suores, meu Deus!
Que tenho eu?

Procuro o sonho
de uma vida,
a inocência de uma
palavra,
o sentido de um só
gesto.

Procuro sempre!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Noites giras

Noites giras são aquelas em que passeias,
de mão dada com o vento, ouvindo
o marejar das árvores
e o chilreio das nuvens.

Noites giras são aquelas em que as conversas,
falam do amanhã,
da loucura e da tempestade
do sentido e dos olhares.

Noites giras são aquelas em que o carinho
do teu ténue silêncio, encanta
o meu pensamento e
a minha alma.

Noites giras são aquelas em que a força
que transportas no peito, enrola
as minhas mãos nas tuas e
os teus lábios nos meus.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Uma só vez

Deixar cair as lágrimas
no teu regaço, mostra o tempo
da vontade.

Dias que assim se movem
qual folha ao sabor do vento
qual seixo a rolar,
leito abaixo,
leito quente
com o teu sabor.

Viverás mil anos para saborear
o desígnio de mais um porto.
Por uma só vez saltarás
e por uma só vez saberás
quão roliço é o meu sonho,
quão quente o meu beijo,
quão com razão, a minha loucura.

Dançarás cem anos para cortar
a maneira do teu ser.
Por uma só vez beberás
e porque sim lutarás
pela força de uma noite,
pelas acções de qualquer ramo,
pela imensidão deste mar.

Dormirás dez anos para afastar
todas as mantas do teu corpo.
Por uma só vez chorarás
e por ele sentirás
o desejo desta virtude,
o pulo de uma nuvem,
o gastar de um abraço.

Mas por uma só vez,
um só minuto, um só olhar
apenas,
tudo guardarás
na arca da paixão.